quarta-feira, 18 de abril de 2012

Texto da Equipe


Após pouco mais de um século desde o fim do escravismo, o racismo ainda é predominante em nossa sociedade, e isso provoca uma grande diferença socioeconômica entre os negros e os brancos no Brasil. Todos os fatores sociais não favorecem os negros (mortalidade infantil, analfabetismo e expectativa de vida), e isso acaba influenciando no mercado de trabalho.

Os trabalhadores brancos recebem, em grande parte dos casos, cerca do dobro do que recebem os negros, o que só vem a tornar ainda mais forte o argumento do racismo. Os negros formam a maior parte da população dos desempregados, e, ainda assim, quando conseguem um emprego, o tempo de duração nesse trabalho acaba sendo menor.

Percebe-se então que essa desigualdade e descriminação esta presente há bastante tempo na sociedade, e nada nos mostra que essa situação será revertida por enquanto, o negro continua, e, se o governo não tomar providências quanto a isso, vai continuar praticamente excluído do mercado de trabalho, da sociedade e das oportunidades da vida. Cabe ao governo, aos donos de empresas e a nós, ter consciência em relação a isso.




Autores: Equipe do trabalho.

População negra no mercado de trabalho

Pesquisas realizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) e pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) mostram uma realidade mais precária enfrentada pelos negros no mercado de trabalho, em comparação com a enfrentada pelos não-negros, quando se consideram dados como as taxas de desemprego, a presença nos diferentes postos de trabalho e os valores dos rendimentos, entre outros.
"O aspecto mais perverso da discriminação no espaço de trabalho se dá nos processos de promoção ou mobilidade para cargos de chefia, liderança ou comando, que têm maiores responsabilidades, visibilidade e remuneração", afirma Mércia Consolação Silva, socióloga e consultora do Centro de Estudos das Relações do Trabalho e Desigualdade (Ceert). De fato, os dados do Dieese para a proporção de assalariados negros e não-negros em ocupações de direção e chefia mostram níveis de desigualdade de oportunidades, além de variações regionais, quando se comparam os resultados para as seis regiões metropolitanas pesquisadas: Belo Horizonte, Distrito Federal, Porto Alegre, Recife, Salvador e São Paulo.
Enquanto, por exemplo, na região de Salvador, 10,3% dos negros (pretos e pardos) ocupam cargos de chefia e a porcentagem entre não-negros (brancos e amarelos) é de 29,6%, na região metropolitana de São Paulo, essas proporções são de 4,4% e 15,7%, respectivamente (dados de 2002, apresentados no Boletim Dieese - Novembro de 2002). Para contextualizar, é importante notar que a presença da população negra é maior em Salvador (81,8%) do que em São Paulo (33,0%) (dados do Mapa da população negra no mercado de trabalho no Brasil, encomendado ao Dieese).

Entre as principais discriminações sofridas pelos negros no mercado de trabalho, Silva aponta ainda o acesso ao emprego, uma vez que muitas empresas com bons salários e benefícios não contratam negros ou, quando o fazem, são para os postos menos qualificados e com menores remunerações.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Pretos e pardos contribuem menos para a previdência.



A inserção mais precária dos pretos e pardos no mercado de trabalho, em relação aos brancos, também pôde ser verificada através das baixas proporções de trabalhadores domésticos (5,1%), de empregados sem carteira de trabalho (7,2%) e de trabalhadores por conta própria (9,8%) pretos e pardos que contribuíam para previdência. Embora também baixos, estes percentuais para os brancos eram consideravelmente maiores.
Contribuintes para a previdência segundo a posição na ocupação por cor ou raça
FONTE: IBGE, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa Mensal de Emprego.

Participação de pretos e pardos no mercado de trabalho


Em 2006, tanto em regiões onde pretos e pardos (Salvador e Recife) predominavam, como em regiões predominantementebrancas (Porto Alegre e São Paulo) a participação dos pretos e pardos entre os que buscavam uma ocupação era maior do que entre os ocupados e os inativos. Em Salvador, por exemplo, os pretos e pardos representavam 82,1% da PIA, 81,6% dos ocupados e 81,5% dos inativos, mas atingiam 89,1% dos desocupados, como mostra a figura abaixo.

Em setembro de 2006, entre os empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado (que têm maior proteção legal e melhores remunerações), 59,7% eram brancos e 39,8% pretos pardos. A maior participação debrancos nesta categoria se justifica pela sua grande presença nas regiões metropolitanas com forte participação do emprego formal (São Paulo e Porto Alegre) onde, respectivamente, 44,9% e 44,2%, da população ocupada têm carteira de trabalho assinada. Salvador e Recife têm grande participação de pretos e pardos e participações de emprego formal relativamente menores: 35,2% e 32,1%, respectivamente.
A população branca também era maioria entre os empregados sem carteira assinada (54,5%) e os trabalhadores por conta própria (55,0%), mas os pretos e pardos correspondiam a 57,8% dos trabalhadores domésticos.
As regiões majoritariamente brancas, os trabalhadores brancos eram maioria em todas as categorias de ocupação, assim como nas regiões com maioria de pretos e pardos. Mesmo assim, os pretos e pardos predominavam entre os trabalhadores domésticos.


 O primeiro fato que chama a atenção nessa simulação é que os brancos possuem as menores probabilidades de desemprego e as maiores de inatividade. Assim, fica claro que negros e pardos, seja homens, seja mulheres, procuram maior inserção no mercado, mesmo que tenham menos chance de conseguir uma ocupação. Outro ponto importante é que o diferencial de inatividade entre os sexos é bastante grande, sendo maior entre mulheres brancas e homens brancos do que entre mulheres negras e homens negros.(gráfico 16) 


Com relação ao desemprego, para cada raça, observa-se que as mulheres têm probabilidade de desemprego maior que os homens. Também se nota que a diferença entre a probabilidade de desemprego entre homens e mulheres negras é de 0,3 pontos percentuais, enquanto entre homens e mulheres pardos é de 1,3 p.p., e entre homens e mulheres brancos é de 1,0 ponto percentual (gráfico 17).





Justiça e trabalho-Discriminação racial

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A exclusão do negro no mercado de trabalho

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